sábado, dezembro 22, 2007

UM SANTO NATAL E UM PRÓSPERO 2008

O Blog Forninhos Virtual Deseja a todos um
feliz e santo Natal
assim como um
próspero
ano novo 2008

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Biografia do Soldado Manuel Nunes, a historia continua...

Uma prenda de Natal para todos os Forninhenses amantes da sua bela terra lusitana.

O Blog Forninhos Virtual agradece com muito reconhecimento a celeridade da resposta de Luís Filipe Marques da Gama, Assessor Principal do Arquivo Nacional da Torre do Tombo (ANTT), no seu email en data de 14 de Dezembro de 2007.

Impressão do correio electronico em resposta a nosso pedido do 5 dezembro 2007.

Caleture, Fortaleza onde ele esteve preso antes de ir para Jakarta na Indonésia actual... e acesso aos Arquivos Nacionais Holandeses :


Elementos relevantes para a biografia do soldado Manuel Nunes:

"1- Era cristão velho, soldado, solteiro, morador na cidade de Lisboa e natural do lugar de Forninhos, freguesia do então concelho de Penaverde (actual concelho de Aguiar da Beira), bispado de Viseu. Sabia ler e escrever “e tem princípios de latim e não tem ordens”, tendo assinado no final da sua confissão.

2- Era filho de Pedro Gonçalves, lavrador, e de sua mulher Maria Nunes, naturais e moradores em Forninhos.
Não menciona os nomes dos avós paternos, por os desconhecer, embora diga que eram lavradores, naturais e moradores em Forninhos. Quanto aos avós maternos, também lavradores, só sabe o nome do avô materno António Nunes, natural das Antas, concelho de Penalva, bispado de Viseu.

3- Manuel Nunes tinha 26 anos de idade a 10.10.1658, quando se apresentou voluntariamente na Inquisição de Lisboa, perante o Inquisidor Rodrigo de Miranda Henriques, para confessar as suas culpas. Da sua confissão constam as seguintes informações com especial interesse para a sua carreira militar: Treze anos atrás (1645), embarcara em Lisboa com destino ao Estado da Índia. Chegando à cidade de Goa, quatro meses depois mandaram-no para a ilha de Ceilão para servir como soldado, onde permaneceu cerca de doze anos. Nessa altura, os holandeses “acabaram de tomar o que faltava por conquistar da dita ilha e acharam a ele réu na fortaleza de Caleturé (?), aonde foi cativo e levado à cidade de Jacataria (?) aonde residiu onze meses, e por o meterem logo em prisão apertada enquanto não havia embarcações para o passarem à Holanda, foi obrigado dos trabalhos em que se via para melhor ter liberdade a assentar praça de soldado dos ditos holandeses, como com efeito assentou, e recebeu seu soldo nos ditos onze meses acudindo as sentinelas e às mais obrigações como os mais soldados holandeses”. Manuel Nunes declarou também “que por alguns meses no dito tempo fez saídas ao campo a pelejar com os mouros, porém nunca pelejou com católicos, nem o determinava fazer, porque logo quando assentou a dita praça declarou que era com condição de não ser obrigado a pelejar com católicos cristãos.” Declarou ainda que sendo forçado a conviver diariamente com os soldados holandeses no baluarte da cidade onde viviam, assistia todas as noites às “suas rezas e orações”, embora não as entendesse nem participasse delas.
Disse também que nesse tempo “comeu carne nos dias proíbidos, porque não tinha outra coisa para comer”, etc. Finalmente, informou que antes de regressar à cidade de Lisboa esteve na Holanda, onde conviveu com todo o tipo de pessoas. Ao longo da sua confissão, refere que nesses anos teve como companheiros outros 11 militares portugueses, igualmente presos pelos holandeses e a quem também serviram como soldados, os quais eram naturais de outras terras portuguesas.

4- Declarou ser católico praticante, baptizado na igreja de Santa Marinha, do lugar de Forninhos, pelo Padre António Nunes, cura do dito lugar e já defunto, sendo seu padrinho Jácome de Almeida, do lugar das Antas. Disse mais que foi crismado na igreja de Santa Justa, em Lisboa, pelo Arcebispo de Lisboa.

5- Considerando que a confissão foi voluntária, estava arrependido e pedia perdão, a sentença de 12.10.1658 limitou-se a adverti-lo a não reincidir nas culpas confessadas e a manter-se um fiel católico, cabendo-lhe pagar as custas do processo.
"


Agradeço pessoalmente a Sra Odete Martins qui tive ao telefone no principio da semana assim como todas as pessoas que contribuiram nesta resposta que trouxe a luz uma parte da nossa historia local assim como uma dimensão alem mar que so nos pode comover.
Agradeço o professionalismo e o rigor do trabalho do ANTT, de divulgação da nossa memoria que é parte integrante da nossa historia.


Melhores cumprimentos

"FORNINHOS SEMPER FIDELIS"

Carlos de Matos Dos Santos


Extra Bonus : Mapa interactivo de Ceilão, Mapa holandese de 1722 :

terça-feira, dezembro 04, 2007

Resposta do Arquivo Histórico Militar sobre o Soldado Manuel Nunes




Divulgo aqui a resposta do
Arquivo Histórico Militar acerca do nosso conterraneo Manuel Nunes.

E pena não termos mais dados sobre esse soldado forninhense embarcado certamente nas guerras luso-holandesas qui seguiram a restauração da soberania da nossa nação em 1640. Mas visto as circonstâncias e a antiguidade do registo é um orgulho saber hoje que a nossa modesta terra contribuiu a afirmar a nossa presença no mundo nos meados do século XVII.

Agredeço desde ja a rapidez da resposta do Arquivo e ficam aqui os nossos melhores cumprimentos e especialemente ao Sr Director Carlos A. Borges da Fonseca.

Semper Forninhense

Artigo relaccionado :
http://forninhos.blogspot.com/2007/11/processo-de-paulo-pais-em-1617-de.html