"Batem leve, levemente,
como quem chama por mim...
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim...
É talvez a ventania;
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho...
Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento, com certeza.
Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria...
Há quanto tempo a não via!
E que saudade, Deus meu!
Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho...
Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
de uns pezitos de criança...
E descalcinhos, doridos...
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
- depois em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!...
Que quem já é pecador
sofra tormentos... enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!
E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na natureza...
– e cai no meu coração.
Augusto Gil - Luar de Janeiro, 1909"
Escolhi este poema para introdução deste post para divulgar uma coisa que já algum tempo não se via em Forninhos. No sábado passado fiquei encantada com a queda de neve com que a natureza nos brindou antes de almoço.
Já são raras as ocasiões em que vemos uma situação destas, mas pelo que minha avó fala, antigamente nevava todos os anos e chegava a uma altura considerável.
Ainda me lembro do último grande nevão que caiu na nossa freguesia, eu andava na escola no 3º ano. Na escola primária estávamos todos em pulgas e nem nos concentrávamos nos estudos pois nossos pensamentos estavam lá fora...
Os alunos que frequentavam na altura a C+S de Aguiar da Beira tiveram dia de folga pois havia tanta neve que o autocarro não saiu de Dornelas. Muita brincadeira houve no largo da igreja e da escola...e nós os mais pequenos invejosos por não termos também folga (é um inconveniente de ter a professora a residir na aldeia ;), para podermos ajudar na construção dos dois grandes bonecos de neve que foram colocados a frente da igreja. Mas a hora do intervalo chegou!!!! o pior foi para voltar para dentro da escola, a Sra. Professora Mariana quase que nos teve que vir "buscar pelos cabelos" :)
(cliquem na imagem para ver melhor) Junto anexo uma foto de telm que tirei para recordação, mas como devem perceber, é difícil fotografar a queda e tenho pena que não ficou nada no chão, os habitantes dos Valagotes tiveram mais sorte, pois via-se que o alto estava coberto de neve…Saudações forninhenses
Ana Guerr@
3 comentários:
Sempre que nevava com alguma intensidade na nossa aldeia e principalmente quando o branco se apoderava da paisagem, embora fosse um transtorno para uns, era sem dúvida uma alegria e diversão para outros, principalmente para as crianças. Os momentos que relatas também me fazem relembrar nevões de outros tempos, que muitas saudades e boas recordações me deixaram. Longe vãos os tempos em que os dias sem escola se tornavam realidade ao cair dos primeiros flocos neve. Com o teu post fica aqui um pouco daquilo que todos nós já vivemos.
Obrigada Ana pelo miminho:)
ola Ana e ola a todos!!
A foto està mesmo bonita!!
O poema que no tempo se sabia a cantarolar faz sempre lembrar boas memorias...
Era mesmo uma festa quando nevava e como tu disseste nao tinhamos mesmo sorte com a professora viver na terra que pena na altura...mas uma boa recordaçao foi um ano quando jà andava na aguiar, o autocarro nao consegiu subir a subida depois da senhora dos verdes ficando atravessado na estrada(com o sr Pinto lembram-se).
um abraço a todos
Olá Ana.
Eu nunca estudei em Forninhos, mas lembro-me há uns anos atrás de nevar na Pascoa. Não deu para fazer bonecos de neve mas foi muito giro, pois nunca antes tinha visto nevar, e neve em Março era algo muito estranho.Foi muito giro.
um abracito
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