quarta-feira, dezembro 05, 2012

Quando Forninhos estava no mapa !

Apesar da distância todos os caminhos levam à Forninhos... pelo menos naquela altura. Esses mesmos caminhos que levaram tanta gente para fora em outras. A história repete-se e cada geração reinventa novas metas muitas vezes sem nada ter percebido... a fatalidade leva que os carreiros antigos desaparecem com as obras ou o descuido de alguns. E a cada um, o seu caminho, tendo a saudade desses dias de romaria ou de Feira Nova onde por grupos no limiar da jorna, a malta punha-se a caminho...tanto na ida como no regresso a união se manifestava.

Esse promenor de mapa é estratégico em 1808 aquando da sua realização por Lourenço Homem. Esse documento é uma carta militar das principais estradas de Portugal durante as Guerras Peninsulares, disponibilizada online pela "Library Of Congress" nos EUA.



Aqui fica o link, a mesma carta está visível no museu militar na torre do castelo de Bragança. Descubri-a em 2009 e fiquei logo surpreendido com a importância da nossa freguesia na informação militar destinada as tropas anglo-lusitanas que iriam combater os invasores franceses, soldados de Napoleão. Voltaremos a falar nesses assuntos por hoje fica a partilha desse registo.

@té breve e um abraço Forninhense

4 comentários:

al cardoso disse...

Uma descoberta interessante, tambem ai vejo Fornos, nessa altura ainda sem Algodres!

Um abraco de amizade.

Carlos de Matos disse...

Bomdia

Esse documento apresenta no entanto contradiçoes.

O eixo Fornos, Villa Cova, Chas, Frigiosa, Mangoalde corresponde a estrada real que viria a dar o traçado da antiga estrada nacional n°16. Nota-se que Fornos sempre se sitiou na margem direita do rio Mondego e que na carta esta na esquerda como a actual Vilacova estar desviada desse eixo e nao ao direito como esta representada no mapa.

Desse constato de haver distorçoes na realidade no levantamento considerei que o mapa poderia estar errado em partes remotas. A localizaçao da aldeia de Antas corresponde mais a situaçao da aldeia da Matança, a estrada ai assinalada viria de Maceira, pelas Forcadas passaria pela Matança e pela direita cortando o rio de Carapito na primeira ponte rumo a Matela e assim para Forninhos. O facto de existir uma calçada romana na Matança como duas pontes relativamente importantes leva-nos a considerar essa aldeia mais provavel do que a actual Antas.

Nessa tentativa de compreensao desse mapa temos de ter em conta os rios, as pontes, a origem desse documento (carta operacional num periodo de guerra...) a evoluçao dos traçados 200 anos depois ;o))
Nesse contexto Forninhos aparece como o ponto chave... é a entrada natural para a bacia hidrografica do rio Dao que vai de leste para oeste, a caminho de Viseu.
O caminho vindo de Penaverde é sem duvida alguma o antigo caminho para Trancoso pela serra do Pisco passando depois do Mosteiro, Queiriz, Casal do Monte (Casaes no mapa), Venda do cepo e Trancoso. Esse trecho seguia depois para Pinhel, Almeida e Espanha.
Estamos aqui perante uma via de circulaçao antiga e essencial ligando cidades antigas como Viseu e Trancoso a Castela em cidades como Salamanca cortando montes e vales.

Forninhos estava situado nesse sentido numa verdadeira auto-estrada da epoca equivalente a A25 de hoje ;o)) pelo menos em paralelo do eixo futuro N16 vindo da Guarda e passando pelo Mondego.
No entanto o aspecto militar e de defesa tambem é de salientar nao podemos esquecer que esse caminho ligava a fronteira.

@té depois

al cardoso disse...

Realmente Antas aparece ai mal localizada, e tal como a amigo tambem penso que devia ser Matanca ai nessa localizacao!
Fornos tambem esta ai. no lado errado do rio Mondego.
Isto so vem provar a falta de conhecimentos geograficos do militares da altura!
Mas nao deixa de ser um documento muito interessante.
Um abraco e bem haja.

Carlos de Matos disse...

Ola sr Cardoso,

penso que o nosso relevo accidentado, os vales, rios, serras difficultavam a exactidão dos dados.
Comparei por exemplo nesse mesmo mapa que referencei para ser o mais divulgado possivel, extractos no baixo alentejo e é incrivel a exactidão nas distancias e localizações.
Faltam por exemplo o rio Dão, de Carapito...
Outra conclusão desse mesmo mapa a juzante de Forninhos ha duas estradas que seguem para Viseu. elas estão trocadas :
Soito de Vide existe hoje como aldeia e fica na margem esquerda do rio Dão antes do Castelo de Penalva ou Castendo como esta ai mencionado. Esse traçado deve corresponder a um caminho que segue pelo Rio Dão abaixo pela esquerda e que iria até à magnifica ponte romana do Castelo de Penalva para cruzar ai o Rio Dão e passar para a margem direita e seguir para a Insua e actual Penalva do Castelo, descendo para o rio Coja, Bassim Cavernães e Viseu.
Enquanto o traçado ao direito de Trancoso, Penaverde, Forninhos, Quinta da Ponte (ai ja existia uma ponte mencionada em 1756 nos inquéritos pombalinos), Sezures, Esmolfe, Roriz, Povolide e Viseu corresponde a uma verdadeira linha de defesa indo de leste para oeste.
O antigo povoado da Gralheira em Forninhos, Boco, Sezures e Esmolfe são aldeias, pontos de etapa no topo de colinas e avistando-se uns aos outros. Essa posição é claramente defensiva e talvez a fundação destas mesmas correspondem a uma linha sul de uma ofensiva vinda de norte da reconquista cristã para consolidar a fronteira. Retalhos de territorio conquistados de Norte para Sul e mesmo em 1808 sem grandes estradas nesse sentido pelo menos na nossa Beira Alta. Ficava assim a proxima linha na cresta em Algodres, Infias, Chães,.. o Rio Mondego e depois outra no sopé da Serra de Estrela que depois de conquistada nos protegeria das incursões mouras do Sul do territorio nacional.

@té depois